Uma nova forma de transformar praças em Guarapuava

09/06/2026 23h20

por Renan Furlan (agente Cultural do Ciclismo Urbano e articulador da Guara BMX Crew)

A Praça Cleve é uma das praças mais tradicionais do centro de Guarapuava. Mesmo assim, hoje ela passa por um momento difícil, com sinais claros de abandono e uso que não condizem com o que a cidade espera de um espaço público no coração do município.
Diante disso, venho defendendo uma saída que já está dando certo em várias cidades do Brasil: usar o urbanismo tático junto com os esportes urbanos e a cultura para devolver vida às praças.
O urbanismo tático nada mais é do que ocupar o espaço de forma temporária, com baixo custo e de maneira criativa, para testar o que funciona. Quando a gente junta isso com BMX, skate, patins e grau de bicicleta, o resultado costuma ser bem interessante. A praça começa a receber gente de novo, vira ponto de encontro e, aos poucos, muda de perfil.
Essa forma de pensar não é nova. A urbanista Jane Jacobs, ainda nos anos 60, já falava que a segurança e a vida de um espaço público dependem basicamente da presença de pessoas. Quando tem gente circulando, olhando e usando o lugar, ele fica mais seguro naturalmente. Já quando o espaço fica vazio, ele acaba virando alvo fácil para problemas como o consumo de drogas.
É exatamente isso que a gente vê acontecendo em várias praças que viraram ponto de cracolândia. Falta uso positivo. Falta movimento. E quando a gente consegue colocar gente de bem ocupando o espaço com esporte e cultura, esse quadro começa a mudar.
Aqui em Guarapuava, a Guara BMX Crew já vem fazendo esse trabalho no Parque do Lago. Organizamos eventos, treinos e ações de ocupação que têm mostrado resultado. A galera comparece, as famílias vão junto e o espaço ganha outra cara. Essa experiência prática me fez acreditar que dá para aplicar a mesma lógica em outras praças da cidade, como a Cleve.
Recentemente, o grau de bicicleta ganhou reconhecimento oficial aqui em Guarapuava. O prefeito Denilson Baitala sancionou uma lei que considera a prática como modalidade esportiva e manifestação cultural urbana. Isso é importante porque dá mais legitimidade para a gente cobrar estrutura e apoio.
Não estou falando de substituir o poder público. Estou falando de mostrar, na prática, que é possível fazer diferente. Quando a comunidade organiza ocupações boas e constantes, fica mais fácil abrir conversa com a prefeitura e com os vereadores. Os exemplos falam mais alto que qualquer reclamação.
Os benefícios são claros: tirar as praças do abandono, criar lazer de verdade para as crianças e adolescentes, fortalecer a cultura local e gerar pontos de convivência no centro da cidade. Além disso, ações como essas abrem portas para projetos maiores e até captação de recursos no futuro.
Por isso, quero convidar quem acredita nisso a se juntar. Pais, mães, jovens, quem anda de skate, quem dá grau, artistas, comerciantes… todo mundo que quiser contribuir de forma organizada. Quanto mais gente participar, mais força a gente tem para transformar esses espaços.
Essa ideia faz parte do projeto Praças Vivas, que busca usar o esporte, a cultura e o urbanismo tático para fazer as praças voltarem a ser o que elas deveriam ser: lugares de encontro e desenvolvimento da comunidade.
Guarapuava tem tudo para dar certo nisso. Basta a gente começar a ocupar de forma inteligente e mostrar que é possível.

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