Sem acordo com a CIS, profissionais da enfermagem do Hospital Regional devem entrar em estado de greve

26/05/2026 00h55

Empresa ofereceu pagar os valores atrasados do piso salarial, mas sem alterar o salário registrado na carteira de trabalho; categoria não aceitou a proposta e deve iniciar os trâmites legais para greve

Sem acordo entre os profissionais da enfermagem e a empresa CIS, trabalhadores do Hospital Regional de Guarapuava afirmam que a categoria deve entrar em estado de greve nos próximos dias.
Segundo as últimas informações repassadas à reportagem do Agora Notícias, a empresa teria oferecido realizar o pagamento dos valores atrasados do piso salarial da enfermagem. No entanto, conforme os profissionais, a proposta não incluía a atualização do valor do salário na carteira de trabalho, motivo pelo qual não houve acordo durante as negociações.
“Agora como não foi aceito e não tem mais tratativa, não tem mais acordo, amanhã vamos fazer um vídeo e documento para comunicar a mídia que a gente vai entrar em estado de greve”, afirmou uma das profissionais à reportagem.
Ainda conforme os relatos encaminhados neste domingo (25), o advogado do sindicato deverá encaminhar nesta segunda-feira (26) um documento oficial em resposta à empresa informando que a categoria não aceitou as propostas apresentadas.
Segundo os trabalhadores, antes do início oficial da paralisação ainda será necessário comunicar órgãos como Ministério Público, Ministério da Saúde e demais instituições responsáveis.
Conforme os relatos, após as notificações oficiais deverá ser iniciado o prazo legal de 72 horas para então a greve poder ser realizada.
“Pelo que entendemos é bem burocrático”, afirmou uma das profissionais.
Os trabalhadores afirmam que o sindicato também deverá ampliar a divulgação da situação junto à imprensa e à população.
As últimas informações apontam ainda que profissionais da enfermagem participaram, na última quarta-feira (20), de uma assembleia com o sindicato para discutir o pagamento do piso salarial da categoria.
Durante a reunião, os profissionais discutiram a situação enfrentada pela categoria e o sindicato apresentou propostas à empresa na tentativa de buscar um acordo.
Entre as possibilidades discutidas estariam o pagamento dos valores atrasados em três parcelas sem entrada, com registro do piso salarial na carteira de trabalho, ou parcelamento em seis vezes mediante pagamento de 30% de entrada, também com atualização do valor registrado oficialmente.
A redação do Agora Notícias foi procurada inicialmente por uma funcionária do Hospital Regional, que pediu para não ter o nome divulgado por medo de represálias. Segundo ela, o relato representa a insatisfação de diversos profissionais da enfermagem que atuam na unidade hospitalar.
Os trabalhadores denunciam o não pagamento integral do piso salarial da categoria, direito garantido por lei federal. Conforme os relatos enviados à reportagem, o clima dentro do hospital é de insegurança, pressão psicológica e revolta diante da falta de respostas concretas sobre os pagamentos.
Segundo os profissionais, desde que a gestão passou a ser administrada pela empresa CIS, os funcionários enfrentam dificuldades relacionadas à transparência sobre salários, benefícios e condições de trabalho.
Após novas informações encaminhadas à reportagem, profissionais esclareceram que os salários pagos atualmente seriam de aproximadamente R$ 1.703 para técnicos de enfermagem, podendo chegar a R$ 2.080 dependendo da carga horária trabalhada. Já enfermeiros estariam recebendo cerca de R$ 2.966, além de vale-alimentação de R$ 210.
Conforme os trabalhadores, a promessa inicial da empresa era de que o pagamento do complemento do piso salarial acontecesse em até 90 dias após a contratação.
Entretanto, os profissionais afirmam que foram informados posteriormente pela administração de que ainda não houve liberação dos valores necessários para o pagamento do retroativo.
“Não estamos pedindo nada além do cumprimento da legislação e do reconhecimento digno pelo trabalho essencial que realizamos”, afirmou uma das profissionais ouvidas pela reportagem.
Os trabalhadores também denunciam sobrecarga nas equipes. Segundo os relatos, o número de funcionários teria sido reduzido ao mesmo tempo em que houve aumento na quantidade de cirurgias realizadas pelo hospital.
Ainda conforme os profissionais, atualmente haveria falta de enfermeiros no pronto-socorro após remanejamentos internos realizados pela gestão, situação que estaria deixando as equipes vulneráveis diante de possíveis emergências.
“Estamos sendo ameaçados a ficar quietos e esperar. O prazo é sempre prorrogado e nunca temos retorno”, relatou uma funcionária.
Os denunciantes afirmam ainda que há grande preocupação com possíveis impactos no atendimento hospitalar, principalmente em setores considerados estratégicos para cirurgias e internações.
Apesar da revolta, os trabalhadores destacam que não desejam prejudicar os pacientes.
“Trabalhamos com vidas e não queremos causar danos a ninguém. Só queremos respeito e nossos direitos garantidos”, afirmou outra profissional.

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