Profissionais da enfermagem do Hospital Regional se reúnem com sindicato e possível greve pode acontecer se não houver acordo

Funcionários e ex-funcionários relatam falta de transparência da gestão, atraso no pagamento do piso salarial, redução de equipes, ameaças e insegurança dentro da unidade hospitalar

22/05/2026 00h26

As últimas informações repassadas à reportagem do Agora Notícias apontam que profissionais da enfermagem do Hospital Regional de Guarapuava participaram, na última quarta-feira (20), de uma assembleia com o sindicato para discutir o pagamento do piso salarial da categoria.
Segundo os trabalhadores, durante a reunião os profissionais discutiram a situação enfrentada pela categoria e o sindicato apresentou propostas à empresa CIS na tentativa de buscar um acordo.
Entre as possibilidades discutidas estariam o pagamento dos valores atrasados em três parcelas sem entrada, com registro do piso salarial na carteira de trabalho, ou parcelamento em seis vezes mediante pagamento de 30% de entrada, também com atualização do valor registrado oficialmente.
Os trabalhadores afirmam que, caso não haja acordo nas negociações, existe possibilidade de greve por parte da categoria.
Ainda conforme os relatos encaminhados à reportagem, os funcionários reivindicam que o valor correto do piso seja registrado oficialmente na carteira de trabalho.
A redação do Agora Notícias foi procurada inicialmente por uma funcionária do Hospital Regional, que pediu para não ter o nome divulgado por medo de represálias. Segundo ela, o relato representa a insatisfação de diversos profissionais da enfermagem que atuam na unidade hospitalar.
Os trabalhadores denunciam o não pagamento integral do piso salarial da categoria, direito garantido por lei federal. Conforme os relatos enviados à reportagem, o clima dentro do hospital é de insegurança, pressão psicológica e revolta diante da falta de respostas concretas sobre os pagamentos.
Segundo os profissionais, desde que a gestão passou a ser administrada pela empresa CIS, os funcionários enfrentam dificuldades relacionadas à transparência sobre salários, benefícios e condições de trabalho.
Após novas informações encaminhadas à reportagem, profissionais esclareceram que os salários pagos atualmente seriam de aproximadamente R$ 1.703 para técnicos de enfermagem, podendo chegar a R$ 2.080 dependendo da carga horária trabalhada. Já enfermeiros estariam recebendo cerca de R$ 2.966, além de vale-alimentação de R$ 210.
Conforme os trabalhadores, a promessa inicial da empresa era de que o pagamento do complemento do piso salarial acontecesse em até 90 dias após a contratação.
Entretanto, os profissionais afirmam que foram informados posteriormente pela administração de que ainda não houve liberação dos valores necessários para o pagamento do retroativo.
“Não estamos pedindo nada além do cumprimento da legislação e do reconhecimento digno pelo trabalho essencial que realizamos”, afirmou uma das profissionais ouvidas pela reportagem.
Os trabalhadores também denunciam sobrecarga nas equipes. Segundo os relatos, o número de funcionários teria sido reduzido ao mesmo tempo em que houve aumento na quantidade de cirurgias realizadas pelo hospital.
Ainda conforme os profissionais, atualmente haveria falta de enfermeiros no pronto-socorro após remanejamentos internos realizados pela gestão, situação que estaria deixando as equipes vulneráveis diante de possíveis emergências.
“Estamos sendo ameaçados a ficar quietos e esperar. O prazo é sempre prorrogado e nunca temos retorno”, relatou uma funcionária.
Os denunciantes afirmam ainda que há grande preocupação com possíveis impactos no atendimento hospitalar, principalmente em setores considerados estratégicos para cirurgias e internações.
Apesar da revolta, os trabalhadores destacam que não desejam prejudicar os pacientes.
“Trabalhamos com vidas e não queremos causar danos a ninguém. Só queremos respeito e nossos direitos garantidos”, afirmou outra profissional.

Ex-funcionárias relatam demissões após período de experiência

Poucos minutos após a publicação inicial da reportagem do Agora Notícias nas redes sociais, novas mensagens foram encaminhadas à redação por ex-funcionárias do hospital.
As duas mulheres também pediram anonimato e afirmaram terem sido contratadas pela empresa CIS durante a troca de gestão da unidade, sendo desligadas após o período de experiência.
Uma das ex-funcionárias relatou que diversos trabalhadores perderam o direito ao seguro-desemprego da empresa anterior após aceitarem os novos contratos.
“Após 45 dias deram baixa sem justificativa ou motivo plausível. Perdemos o direito ao seguro-desemprego da empresa anterior. Fomos pressionados a assinar o contrato, totalmente sem transparência”, afirmou.
Ela também denunciou supostos episódios de assédio moral e alegou problemas relacionados à estrutura de atendimento do hospital.
Outra ex-funcionária afirmou que trabalhou cerca de três anos na unidade hospitalar e foi contratada pela nova gestão durante o período de aviso prévio da antiga empresa.
“Quando deu 45 dias, fim da experiência, fui demitida apenas recebendo o acerto do mês, sem direito ao seguro da empresa anterior”, relatou.
“Fui dispensada sem saber o motivo. Muito triste uma empresa assim chegar e tratar os funcionários como ‘coisa’”, completou.

Direção afirma aguardar posicionamento da Sesa

Após a repercussão interna das denúncias, a direção do hospital encaminhou um áudio aos funcionários informando que aguarda um posicionamento da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná sobre a situação.
Na gravação, um representante da direção afirma que participou de uma reunião com integrantes da diretoria e que a empresa aguarda “movimentações do jurídico da Secretaria Estadual de Saúde”, em Curitiba.
“Eles se comprometeram comigo de até amanhã emitir um comunicado oficial para mandar para os funcionários”, afirma o representante no áudio enviado aos trabalhadores.
A reportagem do Agora Notícias procurou a direção responsável pela gestão do hospital para obter esclarecimentos sobre as denúncias e aguarda retorno oficial.
O espaço segue aberto para manifestação da direção do Hospital Regional, da empresa responsável pela gestão da unidade e também dos órgãos competentes citados pelos profissionais.

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