Profissionais da enfermagem do Hospital Regional denunciam atraso no pagamento do piso salarial e relatam ameaças no ambiente de trabalho

Funcionários denunciam falta de pagamento do piso salarial da enfermagem, sobrecarga de trabalho e ameaças dentro do Hospital Regional; direção afirma aguardar posicionamento da Sesa.

18/05/2026 12h05

A redação do Agora Notícias foi procurada por uma funcionária do Hospital Regional de Guarapuava, que pediu para não ter o nome divulgado por medo de represálias. Segundo ela, o relato representa a insatisfação de diversos profissionais da enfermagem que atuam na unidade hospitalar.
Os trabalhadores denunciam o não pagamento do piso salarial da categoria, direito garantido por lei federal. Conforme os relatos enviados à reportagem, o clima dentro do hospital é de insegurança, pressão psicológica e revolta diante da falta de respostas concretas sobre os pagamentos.
Segundo os profissionais, desde que a gestão passou a ser administrada pela empresa CIS, os funcionários enfrentam dificuldades relacionadas à transparência sobre salários, benefícios e condições de trabalho.
De acordo com os relatos, técnicos de enfermagem teriam sido contratados com salário base de R$ 1.770 e enfermeiros com remuneração de R$ 2.100, além de vale-alimentação de R$ 210. Conforme os profissionais, havia a promessa de que, após cerca de 45 dias, seria pago o complemento referente ao piso nacional da enfermagem, recurso enviado pela União para garantir o valor estabelecido em lei.
Entretanto, os trabalhadores afirmam que foram informados pela administração de que ainda não houve liberação dos valores necessários para o pagamento do retroativo. Ainda conforme os relatos, um novo prazo teria sido dado para uma definição, mas sem garantias concretas de regularização.
“Não estamos pedindo nada além do cumprimento da legislação e do reconhecimento digno pelo trabalho essencial que realizamos”, afirmou uma das profissionais ouvidas pela reportagem.
Os funcionários também denunciam sobrecarga de trabalho e afirmam que, em casos de afastamentos, atestados ou faltas, nem sempre há reposição suficiente nas equipes, situação que, segundo eles, impacta diretamente a rotina dos profissionais e o atendimento aos pacientes.
Outro ponto citado pelos denunciantes é o clima de insegurança dentro da unidade. Conforme os relatos enviados à reportagem, profissionais estariam sofrendo ameaças e pressão para não expor a situação publicamente.
“Estamos sendo ameaçados a ficar quietos e esperar. O prazo é sempre prorrogado e nunca temos retorno”, relatou uma funcionária.
Os profissionais afirmam ainda que há grande insatisfação entre as equipes e preocupação com possíveis impactos no atendimento hospitalar, principalmente em setores considerados estratégicos para cirurgias e internações.
Apesar da revolta, os trabalhadores destacam que não desejam prejudicar os pacientes. “Trabalhamos com vidas e não queremos causar danos a ninguém. Só queremos respeito e nossos direitos garantidos”, afirmou outra profissional.
Após a repercussão interna das reclamações, a direção do hospital encaminhou um áudio aos funcionários informando que está aguardando um posicionamento da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná sobre a situação.
Na gravação, um representante da direção afirma que participou de uma reunião com integrantes da diretoria e que a empresa aguarda “movimentações do jurídico da Secretaria Estadual de Saúde”, em Curitiba.
“Eles se comprometeram comigo de até amanhã emitir um comunicado oficial para mandar para os funcionários”, afirma o representante no áudio enviado aos trabalhadores.
A reportagem do Agora Notícias procurou a direção responsável pela gestão do hospital para obter esclarecimentos sobre as denúncias e aguarda retorno oficial.
O espaço segue aberto para manifestação da direção do Hospital Regional, da empresa responsável pela gestão da unidade e também do sindicato que representa a categoria.

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